“Mãe, podes ajudar por favor?”

A nossa consultora da Remax Expogroup Sun Rita Dinis, partilha a sua história enquanto mãe em tele-trabalho durante a quarentena. Muitas consultoras das nossas agências passaram pela mesma experiência. E tu? Comenta a tua experiência.

www.remax.pt/rdinis

Nestas últimas duas semanas as palavras que mais ouvi cá em casa não foram: Covid-19, Coronavirus, Crise ou Quarentena mas sim “Mãe, podes ajudar-me por favor?”.

Venho partilhar convosco mães e pais a experiência mais recente e desafiante que me foi imposta, a missão árdua e desafiadora de ser Professora, Docente dos trabalhos de casa e Mentora de novas matérias curriculares do 3º período de uma criança do 4ºano.

 Quando me percebi que o meu filho Rafael, não voltaria mais à Escola Primária, fiquei muito preocupada e alarmada pois este seria um período importante para a adaptação para o Ciclo Preparatório.

 A sensação de medo, pânico foi idêntica ao momento que me assolou da obrigatoriedade de confinamento social, a qual tive de aceitar pois racionalmente era o mais correcto como medida de não propagação do surto. E assim foi também quando percebi que não havia outra opção – as crianças ficariam em casa o resto do ano lectivo e lhes seriam atribuídos novos conteúdos programáticos. Mas como? E por quem? Com a “ajuda” dos pais!

Pois bem, nunca foi uma tarefa fácil esta de “estudar com o meu filho” e agora que estamos confinados 24h sobre 24h no mesmo espaço, a tarefa ainda é mais complicada e stressante.

Não está em causa se a medida é válida pedagogicamente ou se é uma mais-valia para as crianças, mas sim pesar na balança o que é mais importante: a sanidade emocional do seio familiar ou estes 3 meses que restam para o final do ano lectivo das crianças? É claro que pouco ou nada estes meses vão influenciar a vida escolar do meu filho, mas o custo emocional e o desgaste da relação com o meu filho será uma conta alta a pagar.

Muitos de nós pais, continuam a trabalhar, quer em tele-trabalho, ou tal como nós, agentes imobiliários, que numa altura difícil temos a obrigação de estarmos conectados, presentes e disponíveis social e profissionalmente. É tempo de “cuidar dos nossos”, dizem os especialistas, onde se incluem os nossos clientes, parceiros, colegas mas para isso é preciso sentir-me bem emocionalmente.

Da mesma forma que me reinvento e recrio na minha actividade profissional, também aqui decidi dar à volta à questão. Tomei a decisão de não ceder à pressão e parar de me culpar de ser “má mãe” por não ter a disponibilidade total em acompanhar todas as aulas da tele-escola ou por não saber explicar da melhor forma a matéria nova. Quero sim fortalecer a minha relação com o meu filho, ensiná-lo a ser feliz e crescer equilibrado emocionalmente, quero sim fortalecer a saúde mental da minha família e fortalecer as nossas relações como pais.

Vivemos tempos de novas aprendizagens em que passámos a dar mais importância a coisas que tínhamos como adquiridas e certas. É preciso dar outro tipo de ensinamentos aos nossos filhos, dar mais de nós e passar-lhes aquilo que temos de mais fantástico – a nossa História e a nossa Experiência.

Quero que o meu filho me chame sim mas para dizer: “Mãe, dás-me outro abraço forte por favor!”.

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